Favela Nova Jaguaré - Setor 3

JAN 2008 – JAN 2011

PRÊMIOS
"O Melhor da Arquitetura" 2012 - Vencedor
Akzonobel 2014 - Selecionado para a Exposição
 
 
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A intervenção na área denominada com Setor 3, constitui-se como parte das ações para urbanização da Favela Nova Jaguaré coordenada pela Secretaria de Habitação do Município de São Paulo.

A Favela Nova Jaguaré é uma das ocupações irregulares mais antigas de São Paulo, registros datam que as primeiras edificações foram construídas no início da década de 1960 sobre terreno destinado à implantação de área verde por meio do parcelamento da gleba promovido pela Companhia Imobiliária Jaguaré.

Tendo em vista sua localização e nível de precariedade da ocupação, a área foi objeto de várias propostas e intervenções por parte do poder público. Em especial a área do Setor 3 passou por dois processos de ocupação irregular, tendo sido o segundo ciclo de construções irregulares edificado sobre obras de contenção realizadas no início da década de 1990, o que acabou por resultar novamente em área desprovida de infraestrutura e em condição de risco iminente de deslizamento.

Neste sentido nossa proposta de intervenção se insere no planejamento das ações de urbanização como ação pontual para qualificação urbano-ambiental desse setor da comunidade, com o objetivo de resgatar o caráter público como premissa básica para o conceito do projeto em uma mudança de paradigma do local, caracterizado por sucessivos processos de ocupação e desconstrução, para uma nova condição de apropriação pública, simbólica, lúdica e aglutinadora.

A compreensão de que as intervenções em áreas críticas da cidade, independente da sua localização, escala e necessidades, devem garantir padrões de urbanização adequados ao reconhecimento e acesso a condições mínimas adequadas à moradia guiou o projeto.

O processo de transformação da área, para garantia das condições planejadas, ocorreu a partir da demolição das edificações em situação de risco, viabilizando a construção de estruturas de estabilização geotécnica, e implementação de sistemas de infraestruturas para drenagem pluvial, redes de esgoto, abastecimento de água.

O projeto foi elaborado interdisciplinarmente conjugando as definições do urbanismo às possibilidades e restrições colocadas pelas diversas engenharias, sempre compreendendo a inserção e articulação com o restante do bairro e suas pré-existências.

Como elemento principal do projeto propomos um eixo de circulação que conecta as cotas superiores e inferiores do bairro superando um desnível de 35m, servindo também para articular os diversos níveis conformados pelos patamares onde estão localizados os equipamentos e espaços para as atividades de esporte, lazer e recreação.

Este eixo é marcado por uma série de dispositivos de circulação, como escadas, rampas e passarelas confeccionadas em estrutura metálica, que exploram de maneira lúdica o percurso permitindo que o pedestre desfrute das visuais do Vale do Rio Pinheiros, Pico do Jaraguá e demais cenários que se descortinam a partir daquele local.

O Centro Comunitário, projetado para abrigar um espaço de informática, abriga em sua cobertura uma praça-mirante em concreto, último nível completamente acessível sem a utilização de escadas. Sua localização é estratégica: além de estar no centro da intervenção e permitir o avanço da laje que conforma a praça seca, suas paredes fazem parte da estrutura de contenção dos taludes.

Acessos secundários foram criados para viabilizar novas possibilidades de percurso e conexão com as Ruas e Vielas do entorno e permitir o acesso a veículos de serviços públicos no miolo da quadra anteriormente obstruída pelas ocupações.

Compondo a intervenção urbanística encontram-se os murais de Maurício Adnolfi, que tem como conceito enfatizar os níveis da praça a partir da predominância de cores, partindo do amarelo (relação com a terra), passando pelo verde em níveis intermediários (relação com os jardins) e chegando ao azul (numa referência ao céu), dotando de arte o espaço público.

 
 

FICHA TÉCNICA

Local
Jaguaré, São Paulo

Ano
2008–2011

Área Total
15.740 m2

Autores
Marcos Boldarini, Claus Bantel, Juliana Junko, Lucas Nobre, Renato Bomfim, Ricardo Falcoski

Colaboradores
Melissa Matsunaga, Cristiana Salomão, Larissa Reolon, Sergio Faraulo

Paisagista
Oscar Bressane

Painéis
Maurício Adnolfi

Fotos
Daniel Ducci

Drenagem, Terraplenagem, Geotécnica e Fundação
Geobrax Engenharia

Iluminação Pública
Arruda

Estrutura
Somatec Engenharia

Instalações Prediais
Unika Projetos e Instalações Elétricas / Terni Engenharia

Realização
PMSP – Secretaria Municipal de Habitação

Gerenciamento de Obras
Consórcio Bureau-Pri

Gerenciamento Social
Diagonal Transformação de Territórios

Execução das Obras
Schahin S.A.