Orla Marítima de Ilha Comprida

FEV 2011 – ABR 2013

 
 
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Ilha Comprida, um município que tem a peculiaridade de ocupar uma estreita faixa de areia com aproximadamente 72 km de extensão por 3 km de largura e 100% de seu território incluído em APA, recebe em sua área central um projeto de requalificação da orla marítima que busca a organização e dinamização das atividades beira-mar e tem objetivos que vão além dessa frente marítima e do turismo de veraneio.
Este município tem o importante papel ambiental de funcionar como um quebra-mar, protegendo a porção continental das influencias de ventos e mares. Daí a importância da presença de dunas, responsáveis por receber os ventos, o movimento das marés e ressacas, protegendo a porção imediatamente posterior do efeito desses agentes costeiros.
O projeto de requalificação da orla de Ilha Comprida configura-se, assim, como um projeto piloto de transformação desta frente marítima. Lança mão de estratégias de qualificação da orla que contemplam as condições naturais e as necessidades de moradores e visitantes, provendo estruturas que interfiram positivamente na dinâmica de fluxos naturais e que ao mesmo tempo disciplinem o uso e a visitação neste espaço que é público por excelência. Pretende atender não somente uma demanda turística, mas também de ordenação de um território tão comum ao imaginário brasileiro e que por isso mesmo é apropriado das mais diversas formas, mesmo que predativas e/ou agressivas.
O projeto parte da requalificação da Av. Beira-Mar no trecho compreendido entre a Av. Copacabana e a Av. São Paulo. Este trecho corresponde à porção central de Ilha Comprida relacionada ao antigo atracadouro no final da Av. Copacabana e ao novo acesso rodoviário representado pela Ponte Pref. Laércio Ribeiro que culmina na Av. São Paulo. Busca, dessa forma, estimular o adensamento nesta área já consolidada, desestimulando o avanço sobre áreas de preservação.
O parcelamento do solo nesta região central caracteriza-se por uma malha ortogonal com quadras de 50 m de largura, configurando uma série de vias perpendiculares à praia que conduzem à Av. Beira-Mar um alto número de usuários, onde os serviços, voltados principalmente para o turismo de verão, se posicionam de forma desorganizada criando uma série de conflitos pedestres – veículos – ciclistas – vendedores – quiosques – estruturas temporárias, além dos conflitos ambientais já citados.
O projeto parte da ordenação desses usos beira-mar a partir dos pontos de parada do transporte público, tomado como elemento mediador entre a praia – ambiente natural – e a ocupação urbana – ambiente construído. Pretende-se uma transformação urbana a partir da questão pública do transporte coletivo, o que permite uma apropriação verdadeiramente democrática do espaço desenhado. A cada 500 m temos uma parada de ônibus desenhada como um elemento de recepção e distribuição dos fluxos. São compostas por coberturas metálicas, quiosques, áreas de estar ou lazer, áreas de retorno para ciclistas e acesso à passarela suspensa que leva à praia. Estes elementos mediadores são, portanto, pontos de atração a partir dos quais o movimento de pedestres e ciclistas se organiza no calçadão. É nestes mediadores que encontraremos os principais acessos às praias – passarelas suspensas (1,60 m acima do nível das calçadas) que possibilitam a movimentação das dunas e a recuperação de sua vegetação nativa conduzindo os visitantes diretamente à área de praia além de configurarem verdadeiros mirantes para o mar. Entre estes mediadores, a uma distância de 250 m, temos elementos menores de travessia para a praia que desembocam em trilhas já existentes entre as dunas. E a cada 125 m encontramos faixas de pedestre em nível (lombo-faixas) possibilitando a travessia de visitantes e ciclistas para o passeio beira-mar.
Por se tratar de uma região plana o deslocamento por bicicletas é favorecido além de já ser habitual entre os moradores e tido como atividade turística por meio do sistema de aluguel de bicicletas e triciclos. Desejando valorizar esse meio de locomoção o projeto prevê ciclovias envolvendo todo o quadrilátero central, inclusive a ponte de acesso à Iguape, promovendo conexões entre equipamentos públicos e permitindo a dinamização do comércio e serviços para além da orla ao possibilitar outros eixos de circulação mais intensa.
Dentro do conjunto dessas intervenções, os mediadores são elementos de encontro, pontos de referência, espaços de convergência na paisagem linear da orla de Ilha Comprida. Esses mediadores conectados pelo novo passeio e ciclovia qualificam o espaço da caminhada beira-mar, o momento do ver e ser visto, da paquera, do encontro com os amigos após um dia de praia, espaço animado durante o dia e a noite potencializando as atividades comerciais e de serviços e assim tornando atrativa e prazerosa a Av. Beira-Mar. Imagina-se a orla marítima novamente indutora da valorização paisagística, ambiental e social daquilo que se pretende como a nova expressão da coletividade urbana do litoral paulista.

 
 

FICHA TÉCNICA

Local
Av. Beira Mar, Ilha Comprida, São Paulo, Brasil

Ano
2011–2013

Área Total
283.000 m2

Autores
Marcos Boldarini, Lucas Nobre e Larissa Reolon

Arquitetos
Flavia Cavalcanti, Juliana Junko, Marta Abril, Renata Serio e Rodrigo Garcia

Estagiários
Patricia Tsunoushi e Pricila Anderson

Colaboração no Desenvolvimento do Projeto Executivo
Conde Doria Arquitetos

Infraestrutura
Pezzi Consultoria

Dinâmica Costeira no Boqueirão Norte
Mariângela Oliveira de Barros

Levantamento Florístico em Áreas de Dunas Remanescentes
Pablo Garcia Carrasco

Iluminação Pública
Tecnowatt Iluminação

Drenagem
Linear Engenharia e Tecnologia

Estruturas e Fundações
Engº Wagner Garcia

Instalações Prediais
DMA Engenharia

Modelo Eletrônico
Luiz Marino

Realização e Coordenação
Estância Balneária de Ilha Comprida – Prefeitura Municipal